Semeado em solo brasileiro, cheio de poesia, amor e ritmo, o samba é a identidade nacional cuidadosamente desenhada e sonorizada nas mais belas canções existentes.
O samba nasceu nas várias manifestações populares dos escravos, no final do século 19 e início do século 20. Músicas de domínio popular eram entoadas, geralmente batuques e muitas brincadeiras acompanhavam as canções. O samba nasce deste meio, em que se “confunde o profano com o sagrado”, como afirma o pesquisador André Rosa.
Em 1916 “Pelo Telefone” foi o primeiro samba registrado e chegou marcando o nascimento do gênero. A música foi composta por Donga e gravada pela primeira vez por Baiano, pouco depois do registro da letra, mas apenas na década de 1930 o samba conquistou o Brasil, dominando as estações de rádio, que estavam em plena difusão pelo país.
Samba é samba!
Atualmente há um grave engano ao categorizar o samba que é facilmente confundido com outros gêneros musicais. No samba, as músicas são formadas por literatura. Um exemplo é Noel Rosa que revelou-se um talentoso cronista, com uma seqüência de canções que primam pelo humor e criticidade. Noel Rosa é compositor de canções como “Com que roupa?”, que se tornou um clássico do cancioneiro brasileiro.
Cartola, outro ícone do Samba, compôs mais de 500 músicas, sozinho ou com parceiros, sendo que “O sol Nascerá” foi regravado mais de 600 vezes. Situações como estas fornecem pistas da valorização das composições do samba.
E para que não haja mais confusão, o pagode é outra história. Para André Rosa a grande diferença entre eles é o tratamento que o mercado dá aos gêneros. “O pagode industrial existe para gerar receita, obedece a uma fórmula que não se modifica, e que por isso mesmo, se traduz na forma descartável como os grupos são tratados”, explica.
O samba tem duas forças muito grandes que atuam em direções opostas e que possibilitam sua sobrevivência. Uma dessas forças é o que direciona à sua raiz (encontrada nos desfiles de carnaval), e a outra é aquela que se transforma sempre que é necessário para garantir sua sobrevivência, que o mantém contemporâneo, com o estilo inovado e moderno.
Essa segunda força é o que manifesta nomes que com a modernidade do ritmo estão ganhando proporções e se tornando novamente primeiro lugar nas paradas de sucesso. Seu Jorge, Maria Rita, Simoninha, Max de Castro, são bons exemplos da fusão das raízes do samba com as novas tendências musicais.
Especialistas e admiradores do gênero depositam suas apostas na vida longa do samba, principalmente por este ciclo de inovação, que conquista geração após geração e o conserva contemporâneo, 90 anos após seu primeiro registro. O samba mantém, mas também muda e nessa contradição harmoniosa a identidade e a vida do gênero são garantidas.
“Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti”
Trecho de “As rosas não falam” - Cartola
Como anda o samba:
- “Samba Meu”, novo DVD de Maria Rita, vendeu mais de 38 mil cópias. O produto foi lançado em Setembro de 2008;
- O samba de Seu Jorge é misturado com rock, funk e reggae;
- Após a participação no longa Cidade de Deus, o sambista Seu Jorge firmou carreira internacional;
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
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